quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

No Brasil, quinze animais silvestres são atropelados a cada segundo


Com a expansão demográfica, desflorestamento e a construção de estradas, cada vez mais são reduzidos os habitats das espécies silvestres, e com isso, o número de animais acidentados sobe a cada ano.

Não são todos os atropelamentos que são devidamente registrados, podemos concluir que os números irão além dos 475.000.000 de animais silvestres atropelados por ano no Brasil, conforme as estimativas do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas.


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O governo ( DER - Departamento de Estradas de Rodagem ), coloca nas rodovias  placas de sinalização ( placa amarela com desenho de animal ) para alertar os motoristas.




Veja na integra, a matéria da BBC:

A principal causa da morte de animais silvestres no Brasil

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Direito de imagemLEONARDO MERCON
Image captionOnça-parda atropelada às margens da BR-101, em uma das áreas de mata atlântica mais preservadas do país

BR-101, norte do Espírito Santo, setembro de 2015. Um caminhoneiro sente um cheiro forte e localiza uma anta – o maior mamífero terrestre brasileiro – na margem da pista, em estado avançado de decomposição.
Cinco meses antes, no mesmo trecho da rodovia, biólogos encontraram uma fêmea adulta de harpia, a maior ave de rapina das Américas, debilitada por fraturas e hematomas. Por ali, restos de retrovisor de caminhão. No mês anterior, a vítima fora uma onça-parda.
As cenas com espécies ameaçadas de extinção são um retrato de um filme que não sai de cartaz no Brasil: a matança de animais por atropelamentos em estradas.


Direito de imagemLEONARDO MERCON
Image captionEm um ano, ao menos quatro antas foram atropeladas no trecho crítico da BR-101; 20 mil animais são mortos por mês em segmento de 25 km
Direito de imagemLEONARDO MERCON
Image captionTamanduá-mirim atingido por veículo nas imediações da BR-101; duplicação de trecho da BR, prevista para 2025, preocupa especialistas
Direito de imagemJOAO MARCOS ROSA
Image captionCutia atropelada em estrada de terra dentro da Floresta Nacional de Carajás, no Pará

Essa é, de longe, a principal causa de morte de bichos silvestres no país, superando caça ilegal, desmatamento e poluição. São 15 animais mortos por segundo, ou 1,3 milhão por dia e até 475 milhões por ano, segundo projeção do CBEE (Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas), da Universidade Federal de Lavras (MG).
Quem puxa a lista são os pequenos vertebrados, como sapos, cobras e aves de menor porte – respondem por 90% das mortes, ou 430 milhões de bichos. O restante se divide em animais de médio porte (macacos, gambás), com 40 milhões, e de grande porte (como antas, lobos e onças), com 5 milhões.

A situação, dizem especialistas, é o resultado natural para um país que desconsiderou os bichos ao planejar as rodovias e ainda dá os primeiros passos na adoção de medidas para minimizar os impactos das vias.

"Está acontecendo uma desgraça total e não temos tempo nem de estudar o que ocorre", disse à BBC Brasil Áureo Banhos, professor do departamento de biologia da Universidade Federal do Espírito Santo.Corrida contra o tempo

Banhos coordena um time que monitora os atropelamentos no trecho de 25 km da BR-101 que corta uma das manchas verdes mais intactas do país. É um mosaico de 500 km² (ou um terço da cidade de São Paulo) de unidades de conservação rasgado pela pista única da via.


Direito de imagemJOAO MARCOS ROSA
Image captionTrânsito na BR-101 no trecho que corta a reserva de Sooretema; área é último refúgio na região para grandes mamíferos
Direito de imagemJOAO MARCOS ROSA
Image captionRodovia que une a área urbana de Parauapebas, no Pará, e a Floresta Nacional de Carajás; país tem mais de 15,5 mil km de estradas cortando unidades de conservação

Um exemplo do alerta do professor: das 70 espécies de morcegos identificadas na região, 47 já foram atropeladas na estrada – e uma delas era desconhecida da ciência até então. Ao todo, 165 espécies de diferentes animais perderam a vida por ali (10 anfíbios, 21 répteis, 63 aves e 71 mamíferos) – são 50 mortes por dia apenas nesse ramo da rodovia, ou 20 mil por ano.


Direito de imagemJOAO MARCOS ROSA
Image captionTamanduá-bandeira atropelado na MS-178, que liga Bodoquena a Bonito, em Mato Grosso do Sul

Essa floresta integra as reservas de mata atlântica da Costa do Descobrimento, patrimônio natural da humanidade desde 1999. Por ser um raro fragmento contínuo de mata, é o último refúgio na região para várias espécies ameaçadas, como a anta, a onça-pintada, o tatu-canastra e a harpia.
O fotógrafo Leonardo Merçon, do Instituto Últimos Refúgios, fez um trabalho de registro da Reserva Biológica de Sooretama, a maior peça do mosaico verde da região. Impressionado pelos atropelamentos, acabou se engajando nas ações de conscientização para a gravidade do problema.
Leia também: Usina no rio Tapajós repetirá 'caos' de Belo Monte, diz Greenpeace
"Você nem precisa de dados para ver o impacto real do problema", afirma ele. Um vídeo do instituto que registrou uma onça-parda atropelada na estrada teve mais de 1 milhão de visualizações.
Em locais como esse, a perda de um único indivíduo pode ter impacto muito grande sobre a biodiversidade. "Engenheira" dos ecossistemas, por dispersar sementes e servir de presa para grandes predadores, a anta, por exemplo, leva 13 meses na gestação (com um filhote por vez) e demora dois anos entre as concepções.
Um possível caminho para os animais cruzarem para o outro lado da via são os dutos de drenagem de água sob a pista, mas nem sempre é simples mudar seus hábitos.


Direito de imagemJOAO MARCOS ROSA
Image captionTamanduá-mirim faz travessia por manilha construída na origem da BR-101 para escoamento de água
Direito de imagemJOAO MARCOS ROSA
Image captionPesquisador da UFES Áureo Banhos em trabalho para adaptar os dutos de água fluvial para passagem de fauna; ao alto, um morcego passa pela manilha: ao menos 47 espécies desse mamífero já foram atropeladas na rodovia

"No parque nacional Banff, no Canadá, os ursos demoraram oito anos para começar a usar esse tipo de passagem", afirma Alex Bager, coordenador do CBEE. No caso da BR-101, apenas 15% dos bichos atropelados usam as manilhas.
Ou seja, talvez seja mais fácil mudar os hábitos dos motoristas, por meio de ações como redução de velocidade, radares inteligentes que multam pela média de velocidade (e não em apenas um ponto) e placas de advertência.


Direito de imagemPARKS CANADA
Image captionEstrutura para passagem superior de fauna construída no parque nacional Banff, no Canadá

A Eco-101, concessionária responsável pelo trecho da BR-101 em questão, diz que o segmento tem dois radares fixos, velocidade máxima de 60 km/h (especialistas defendem 25 km/h) e dez placas educativas. Afirma ainda promover ações de conscientização e que estuda a "ampliação dos dispositivos de segurança para os animais silvestres".

Ausência de normas

A situação da BR-101 no Espírito Santo – que ainda enfrenta a perspectiva de duplicação até 2025 – é uma amostra aguda de um problema nacional. São mais de 15,5 mil km de estradas atravessando áreas federais de conservação.
Leia também: Cientistas captam pela 1ª vez momento em que mosca come presa em pleno voo
Os pontos críticos estão por todo o Brasil. Um levantamento do Instituto de Pesquisas Ecológicas em três trechos de rodovias de Mato Grosso do Sul (1.161 km nas BRs 267, 262 e 163) entre abril de 2013 e março de 2014, por exemplo, localizou 1.124 carcaças de 25 espécies diferentes, como cachorro-do-mato (286 mortes), tamanduá-bandeira (136) e jaguatirica (7).


Direito de imagemJOAO MARCOS ROSA
Image captionCruz deixada por pesquisadores em local onde harpia foi encontrada morta na BR-101
Direito de imagemJOAO MARCOS ROSA
Image captionRéptil passa por medição na BR-101; desafio é entender o impacto das rodovias nas populações de animais

E não há normas nacionais específicas para a construção de rodovias que cortam reservas naturais. Tudo tramita como um licenciamento ambiental padrão.
O problema vem mobilizando a classe acadêmica no país. Paralelamente a uma explosão nos estudos em ecologia de estradas, há articulações institucionais em curso no Congresso e em órgãos ambientais.


Direito de imagemJOAO MARCOS ROSA
Image captionExemplares empalhados de espécies atropeladas na BR-101

Um fruto recente desse debate é o PL (Projeto de Lei) 466/2015, do deputado federal Ricardo Izar (PSD-SP), que busca tornar obrigatórias ações como monitoramento e sinalização em áreas "quentes" de atropelamentos, além da criação de um cadastro nacional de acidentes com animais silvestres.
Sobre essa última medida, um esforço já partiu da própria academia, com a criação do Sistema Urubu, uma espécie de rede social para compartilhamento e validação de informações sobre atropelamentos de bichos.
No ar há um ano, a iniciativa do CBEE conta com um aplicativo gratuito pelo qual qualquer pessoa pode fotografar e enviar imagens de acidentes com animais. Os registros são enviados para uma base de dados central e são validados por especialistas cadastrados no sistema, tudo online.


Direito de imagemJOAO MARCOS ROSA
Image captionEm audiência com Procuradoria em abril, Áureo Banhos indica trecho de mata cortado pela BR-101; profissionais se articulam por medidas emergenciais e contra duplicação da via

Já são cerca de 15 mil usuários cadastrados e mais de 20 mil fotos enviadas. Para entrar no sistema, cada registro precisa ser validado por cinco especialistas, e ter o consenso de três deles sobre qual é a espécie em questão – são 800 "validadores" ativos na rede, cada um especializado numa classe animal.
"Muitas vezes, as pesquisas sobre o tema no Brasil são muito regionalizadas, restritas ao raio da universidade por falta de recursos. Com o sistema poderemos criar um mapa de áreas críticas de atropelamentos no país e usá-lo como política pública de conservação", afirma Alex Bager, do CBEE.
Diante da perspectiva da fase mais explosiva de construção de estradas na história, com pelo menos 25 milhões de km de novas rodovias no mundo até 2050, especialistas defendem que essas intervenções passem, cada vez mais, por estudos de custo-benefício.
Seria um modo de evitar a proliferação de vias em regiões de alto valor ambiental mas potencial agrícola apenas modesto, como a bacia Amazônica. "Construir estradas é abrir uma caixa de Pandora de problemas ambientais, e ainda estamos na pré-história da mitigação de impactos", afirma Banhos.


Direito de imagemLEONARDO MERCON
Image captionJabuti-tinga, espécie ameaçada, se arrisca na tentativa de atravessar a BR-101; perspectiva de 25 milhões de km de novas rodovias no mundo até 2050 exige ação urgente, afirmam especialistas

Rogerio Cunha de Paula um dos maiores especialistas em lobo guará está mobilizado em defesa do PL 466/2015.

Você pode ajudar divulgando o problema e mandando seu recado para os deputados, basta clicar no link (http://www.redeprouc.org.br/pl-466-diga-nao-ao-atropelamen…/) e digitar seu nome e email.



-0:09
Para visualizar o vídeo, click no link abaixo:

Para saber mais e fontes:
http://cbee.ufla.br/portal/atropelometro/
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/10/150924_atropelamentos_fauna_tg
http://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/tem-noticias-1edicao/videos/v/lobo-guara-e-encontrado-morto-apos-atropelamento-em-rodovia-de-iacanga/5274048/
http://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2016/05/atropelamentos-matam-475-milhoes-de-animais-por-ano-no-pais-diz-ufla.html
http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/blog-do-planeta/noticia/2016/03/15-animais-sao-atropelados-cada-segundo-em-estradas-do-brasil.html
http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2014-09/atropelamentos-matam-400-milhoes-de-animais-silvestres-cada-ano

Professor Ricardo Hisamoto - Biólogo.


terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Animais silvestres tentando sobreviver!

Na imagem do vídeo abaixo, observamos uma pessoa alimentando com pão um bando de Periquitos verdes / Periquitos-ricos (Brotogeris tirica). Essa é uma das várias  consequências que a  expansão demográfica causa nos ecossistemas, nesse caso,  mais propriamente em seus agentes.

Eu particularmente vejo essas imagens de forma melancólica, acho triste, pois isso não é socializar, esses magníficos seres estão famintos!

Existem  pessoas que acham lindas essas imagens, para essas pessoas eu peço que façam o seguinte: Invertam os papéis, se imaginem no lugar dos pássaros...

Espécies silvestres quando buscam meios não ortodoxos para alimentação, pode significar desequilíbrio no seu meio ambiente (falta de alimento no habitat).

Já na natureza, a função dessa espécie de aves da família Psittacidae,  é a disseminação de sementes de árvores frutíferas, assim como a maioria dos pássaros.

A interferência humana no hábito alimentar de uma espécie pode trazer consequências para outras espécies da Fauna & Flora...

Um exemplo sobre interferência são os bebedores artificiais em formas de flores para Colibris / Beija-Flor (Colibri coruscans, serrisrostris, delphinae), eles deixam de polinizar, o que afeta diretamente o desenvolvimento de uma arvore frutífera, na qual o periquito-rico (Brotogeris tirica) se alimentaria de frutas  e depois espalharia as sementes, da mesma forma que ocorreu a milhares de anos antes dos humanos aparecerem e estragarem tudo.

Se uma função for comprometida, ocorre o desequilíbrio e em consequência o declínio, e por fim a extinção da espécie.

Várias espécies silvestres estão buscando sobrevivência em áreas urbanas, devido à falta de habitat e  de comida, o que contribui para a alta taxa de mortalidade desses animais (muitos são mortos por acidentes ou pela ignorância da população)..

Para salvarmos o que ainda existe de Fauna e Flora, as ações mais urgentes seriam o reflorestamento, despoluição de rios, córregos, mananciais, deter a expansão urbana desordenada e uma politica de preservação e manutenção ambiental com leis eficazes.

Mas enquanto isso não acontece, plantar uma árvore já ajuda!

Para saber mais:
http://e-tribuna.com.br/ler/animais-silvestres-buscam-abrigo-e-alimento-em-areas-urbanas/209
https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2011/11/09/macacos-invadem-condominio-em-busca-de-alimentos-em-cidade-do-interior-de-sao-paulo.htm
http://www.anda.jor.br/11/03/2013/sem-habitat-e-sem-comida-animais-silvestres-buscam-sobrevivencia-em-area-urbanizada-em-terezina-pi
http://www.cotiatododia.com.br/animais-silvestres-e-aves-migram-para-cidade/

Professor Ricardo Hisamoto - Biólogo.



Praia De Itapoá SC  vídeo 
                                                                                        
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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

As substâncias tóxicas dos alimentos e a lista dos 23 alimentos mais perigosos do mundo pela revista Exame.

A lista pode se estender por mais dezenas de minerais, vegetais e animais que podem ser tóxicos aos humanos, lembrando que tudo o que é utilizado ou consumido em excesso pode ser prejudicial para saúde.
Destaco: Castanha de Caju (Anacardium occidentale L.), Mandioca (Manihot esculenta) , Castanha do Pará (Bertholletia excelsa) , amendoim (Arachis Hypogaea)  e Carambola (Averrhoa carambola) , por serem muito consumidos no Brasil.
A Castanha de Caju, quando crua, contém uma substância chamada urushiol, que também é encontrada na hera venenosa. Por isso em grandes quantidades pode ser fatal.
Quando cozidas/assadas, elas passam por um processo cujo o calor elevado quebra as moléculas, eliminando as toxinas, o mesmo processo ocorre com a mandioca.
A mandioca crua tem uma toxina bem poderosa nas suas folhas e raízes, o cianureto de hidrogênio. A intoxicação pode causar desde náuseas e vômito até a morte em duas ou três horas.
A Castanha do Pará e amendoim podem carregar uma substância tóxica: a aflatoxina. A substância é um metabólico do fungo Aspergillus flavus, tóxico para o ser humano e para a maioria dos animais.
Os problemas mais sérios que a aflatoxina pode provocar são: danos nos rins, cirrose, febre, redução da resistência imunológica e câncer no fígado. A castanha é um alimento nutritivo para os homens e para os microorganismos também.
Sua ocorrência é mais freqüente em amendoim do que em outros produtos agrícolas, uma vez que o amendoim é o substrato preferido por esse fungo.
O mau acondicionamento da castanha é a principal forma de propagação do fungo.
A Carambola a tem neurotoxinas que podem afetar o sistema nervoso e o cérebro, além da caramboxina ser péssima para quem tem doenças renais.
Pode ser consumido moderadamente por pessoas que não tem histórico de problemas nos rins..
A falta de higiene no preparo e na conservação de alimentos, também podem causar uma dezena de intoxicações e contaminações por bactérias, como o botulismo.
O botulismo é uma doença potencialmente fatal, que resulta da ação de uma neurotoxina (toxina que afeta os neurônios) derivada da bactéria Clostridium botulinum.
A neurotoxina botulínica é um dos venenos mais letais que conhecemos.
Precisamos estar atentos aos remédios caseiros, e sempre que possível, pesquisar sobre suas matérias primas, para não correr riscos.
O cuidado se estende até ao uso de medicamentos, pois o que difere o remédio do veneno, é a dosagem utilizada...
Observação: Os glicosídeos cianogênicos, precursores do cianeto de hidrogênio que é potencialmente letal quando é processado pelo corpo humano, são encontrados nas sementes de maçãs e no interior carnoso das sementes de ameixas, pêssegos, cerejas, entre outros.
Na natureza, se você observar algum fruto silvestre, cujo no habitat as espécies de mamíferos, pássaros e insetos ignoram propositalmente, pode-se tratar de fruto tóxico.
Para saber mais e fontes:
Professor Ricardo Hisamoto - Biólogo.


Confira o que pode fazer mal para o seu organismo ou até te levar à morte
EXAME.ABRIL.COM.BR

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

O comércio legal de animais exóticos

A comercialização de animais exóticos é um negócio bilionário para os envolvidos e mais um problema grave para a natureza.

Há casos que espécies são retiradas de seu meio ambiente (mesmo as criadas em cativeiro para comercialização), de forma ilegal e transportadas precariamente para vários continentes, com um índice de mortalidade de dez por um (de cada 10, 1 sobrevive). 

Como exemplo, irei citar um problema no Brasil e outro da Flórida (EUA): 

A Tartaruga-da-Flórida (Trachemys scripta elegans), na  imagem abaixo, entre 1989 e 1997 foram exportados dos EUA (para vários países) aproximadamente 52 milhões de indivíduos!

É uma espécie que continua comercializada como animal de estimação, no entanto, muitos espécimes foram libertados no meio natural pelos donos ou escaparam do cativeiro, se você for em algum parque com lago, é muito provável que você encontre mais de um exemplar, e, sendo uma espécie intrusa, causa o desequilíbrio no meio ambiente.

O outro caso são das cobras Pítons que são exportadas da Ásia e África para os Estados Unidos. 

Justamente no Estado da Flórida, é onde atualmente tem se registrado as maiores ocorrências de espécie intrusa, essas cobras (que podem passar de sete metros de comprimento), também devido ao fato de serem soltas ou escaparem do cativeiro, essas Pítons começaram a se reproduzir nos pântanos do Everglades National Park, afetando a fauna, predando várias espécies e principalmente ¹Alligators (Alligator mississippiensis) e Crocodilos (Crocodylus porosus) e (Crocodylus acutus).

Por isso, pense antes na responsabilidade de adquirir qualquer animal exótico (inseto, peixe, pássaro, réptil, roedor, etc. de outros continentes), e jamais solte-o no meio ambiente.

¹ Uma diferença clássica entre Alligator  e Crocodilo é o seu focinho. É difícil distinguir, a menos que você esteja  perto. O focinho de um Alligator é mais parecido com uma pá (mais largo); O focinho de um crocodilo é mais fino com mais dentes saindo pelas lateais da boca (melhor para pegar peixes).

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Professor Ricardo Hisamoto - Biólogo.


Veja o documentário sobre as Pítons na Flórida.


Se o vídeo não iniciar, clique no link:
https://www.youtube.com/watch?v=iMerLIA9i7g






A Tartaruga-da-Flórida (Trachemys scripta elegans), na  imagem abaixo, entre 1989 e 1997 foram exportados dos EUA (para vários países) aproximadamente 52 milhões de indivíduos!

Imagem  José Teixeira

O comércio ilegal de animais silvestres

S.O.S Fauna & Flora.

Não compre espécies silvestres! Denuncie 0800 61 8080 

Algumas de nossas espécies nativas estão entrando em grau de declínio irreversível, pois além do desmatamento desenfreado aniquilando a Flora & Fauna, a biopirataria completa a erradicação de espécies nos seus habitats.

Tráfico de animais contribui para extinção de espécies

Proteção Animal

Ter animais silvestres como bichos de estimação é crime. Papagaios, periquitos e passarinhos estão entre os mais visados
Divulgação/ ICMBioAnimal silvestre criado como doméstico, além de sofrer com a solidão, tem dificuldades para se reproduzir, ressalta especialista
Animal silvestre criado como doméstico, além de sofrer com a solidão, tem dificuldades para se reproduzir, ressalta especialista
O tráfico de animais silvestres é uma das principais ameaças à biodiversidade brasileira e pode provocar a extinção de diversas espécies a médio e longo prazo. No Brasil, as aves são os animais mais capturados e vendidos no mercado negro, segundo dados da organização não governamental WWF.
O comércio ilegal ocasiona desequilíbrios ecológicos e sofrimento aos animais. "Cada espécie tem uma função ecológica. Tirar uma espécie da vida livre abre uma lacuna, porque não haverá outra para desempenhar aquele papel", afirmou a Coordenadora de Avaliação do Estado de Conservação da Biodiversidade (Coabio/ICMBio), Rosana Subira.
Para combater o tráfico de aves, o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave/ICMBio) implementa constantemente Planos de Ação (PANs). "Em muitos destes Planos, um dos principais problemas é justamente o tráfico. Por isso, ações estratégicas são pensadas e implementadas junto com os órgãos fiscalizadores das diferentes esferas (federal, estadual e municipal)", explicou a médica-veterinária e analista ambiental do ICMBio, Patrícia Serafini. 
As espécies mais visadas no tráfico de animais são os psitacídeos (papagaios e periquitos), passeriformes (passarinhos), dendrobatídeos (rãs venenosas e coloridas), primatas e lepitópteros (borboletas).

"Houve recentemente no Parque Nacional de Itajaí (SC) duas apreensões: uma de 800 borboletas e outra de 13 mil indivíduos. Ambos os casos foram enviados ao Centro Nacional de Pesquisa e Conservação do Cerrado e Caatinga (Cecat/ICMBio) para identificação das espécies", disse Marília Marini, coordenadora-substituta de Planos de Ação do ICMBio (Copan/ICMBio). 
Animais silvestres precisam de cuidados especiais 
Na maioria das vezes, quem compra as espécies silvestres tem a intenção de cuidar delas como animais de estimação. No entanto, segundo Rosana Subira, são necessários cuidados muito especiais.
"O bem estar do animal silvestre não depende apenas do cuidado, carinho e boas intenções do comprador. Um animal silvestre criado como doméstico além de sofrer com a solidão, tem dificuldades para se reproduzir. Pode sofrer por ficar preso em espaço físico reduzido e comer alimentos inapropriados. Isso expõe as espécies a doenças que em seres humanos podem não ser tão graves, como a gripe, mas que para eles são fatais", destacou a coordenadora de Avaliação do Estado de Conservação da Biodiversidade (Coabio/ICMBio). 
O tráfico de animais começa quando as espécies são retiradas da natureza e vendidas em feiras livres. Normalmente, o transporte é feito por meio de caminhões, ônibus interestaduais e até carros particulares, o que pode provocar estresse nos animais, principalmente nas aves, que em alguns casos arrancam as próprias penas.
"As aves passam a ter inúmeros problemas comportamentais e nutricionais e não contribuem para a manutenção da sua população de origem por terem perdido seu potencial reprodutivo ideal. Estamos falando do nosso maior patrimônio, no caso a biodiversidade, engaiolada e sem possibilidade de exercer seu potencial para a manutenção dos ecossistemas naturais", comentou a analista ambiental do ICMBio, Patrícia Serafini. 
Serafini também destacou que ter animais silvestres como bichos de estimação é crime ambiental, segundo a Lei nº 9.605/98, que proíbe a utilização, perseguição, destruição e caça de animais silvestres. Para os infratores, a lei prevê prisão de seis meses a um ano, além de multa. "Se a população não comprasse animais silvestres de origem ilegal, o tráfico não existiria. É preciso que todos se conscientizem que a nossa biodiversidade é o maior e mais exclusivo patrimônio que possuímos", finalizou. 
Não compre animais silvestres. Denuncie
Para denunciar o tráfico de animais silvestres, entre em contato com a Linha Verde do Ibama, pelo número 0800-618-080 ou pelo email linhaverde.sede@ibama.gov.br. 
Sobre os PANs
Os Planos de Ação Nacionais para a Conservação das Espécies Ameaçadas de Extinção ou do Patrimônio Espeleológico  (PANs) são instrumentos de gestão que tem como principal objetivo a troca de experiência entre os atores envolvidos, no sentido de agregar e buscar novas ações de conservação, reunindo e potencializando os esforços na conservação, e racionalizando a captação e gestão dos recursos para conservação das espécies ou ambientes focos dos planos de ação.
Os planos de ação buscam identificar, a partir das ameaças que põe em risco as espécies, quais instrumentos de gestão devem ser orientados ou otimizados, visando um efeito benéfico direto. Suas ações abrangem de forma objetiva a interferência em políticas públicas, o desenvolvimento de conhecimentos específicos, a sensibilização de comunidades e o controle da ação humana para combater as ameaças que põe as espécies ameaçadas em risco de extinção.
Para garantir que o plano de ação tenha maior êxito na implementação, o processo contempla a participação multilateral, visando o estabelecimento de um pacto envolvendo diversos segmentos do governo, organizações não governamentais ligadas à conservação, especialistas em conservação de espécies, representantes das comunidades locais ou das autoridades locais, quando apropriado, o setor privado (por exemplo, representante de empresas florestais, mineradoras ou operadores de turismo) e outras partes chave interessadas.
O Instituto Chico Mendes conta também com o apoio do Projeto Probio II/MMA na elaboração e implementação dos planos de ação.
Fonte: 
ICMBio
Para saber mais e fontes:
http://www.brasil.gov.br/meio-ambiente/2014/07/trafico-de-animais-contribui-para-extincao-de-especies
http://brasilescola.uol.com.br/geografia/trafico-animais.htm
http://g1.globo.com/brasil/noticia/2010/10/saiba-qual-e-rota-do-trafico-de-animais-silvestres-no-brasil.html

Na imagem abaixo, uma ave da família Falconidae (Caracara plancus) , popularmente conhecida como Carcará.

Professor Ricardo Hisamoto - Biólogo.